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Músic(A)rtes

Blog de divulgação de Artistas e Artes.

05
Jun20

Fernando Ferreira apresenta o seu novo álbum «Mantenhas»

À venda hoje.

«Mantenhas», é o novo álbum de Fernando Ferreira e já se encontra à venda.

 

Fernando Ferreira © José Carlos NascimentoFernando Ferreira © José Carlos Nascimento

 

Em 2010, Fernando Ferreira realizou o seu sonho e editou o seu primeiro disco «Mestiço», uma edição de autor com influências na Lusofonia.

«Mantenhas», insiste em trilhar esta identidade Lusófona que teimosamente estrutura o olhar, o ouvir e o sentir deste artista. Fernando Ferreira já não pretende adivinhar amanhãs, por isso insiste em valorizar cada vez mais os hojes que são resultados dos seus muitos ontens.

 

«Mantenhas» Fernando Ferreira

 

Na canção que abre “Mantenhas”, último álbum do surpreendente Fernando Ferreira, ouvimos o som de uma percussão. É um som que existe como porta de entrada para uma viagem que não sabemos onde nos leva, um som que nos habitua à estranheza de um caminho mesmo antes de sabermos se é sequer um caminho.

 

Tudo neste trabalho é um apelo.

 

À tolerância – porque cada uma das canções vive do enorme desafio de unir continentes, culturas e pele.

 

À liberdade – porque é um trabalho aberto ao mundo e à sua diversidade. Com a extraordinária capacidade de nos permitir alargar o mundo como apenas os africanos conseguem. Mas também com o talento de juntar às origens uma influência cosmopolita europeia.

 

A África de Fernando Ferreira, a que ouvimos nestas canções que agora apresenta ao mundo, é um continente quase metafísico. Vive da memória de si e de um lugar de felicidade, mas que não é um lugar exato, um bocadinho como se fosse uma refeição de infância, irrepetível, única e pura. De alguma maneira, “Mantenhas”, o mesmo que dizer “Saudação”, corresponde a uma procura mítica de uma pureza perdida, a procura de um mundo em que exista luz, campos abertos e uma ideia de felicidade – seja isso o que for.

 

Nestas magníficas canções estão as mornas e a coladeira, mas também a música dos portos do mediterrâneo ou o jazz. Estão a MPB e um fado que dificilmente é reconhecido sem escavação, trabalho para arqueólogos, viajantes ou sonhadores.

 

É um álbum de um homem sem pátria, mas que nunca será apátrida. Fernando Ferreira é o contrário disso, alguém que deseja carregar todas as pátrias que em si conseguirem caber. Ele próprio canta que “não amou por desejar o mundo inteiro”, num dos versos mais bonitos de “Mantenhas” da autoria do João Afonso.

 

Se na primeira canção uma porta se abre, na última exalta-se a vida com um final de festa que nos apela a que sejamos maiores, que nos chama para uma dança que, como o amor, nos poderá salvar das cinzas de um tempo cinzento e obscuro.

 

Para ouvir.

 

E guardar sempre que precisarmos de viajar sem bagagem, livres como as crianças. Desamparados num amparo de liberdade.

Luis Osório

 

Fonte

Publicado por Music(A)rtes

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