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Músic(A)rtes

Blog de divulgação de Artistas e Artes.

22
Jan20

«Lilith - A Mulher Primordial» de Rosa Leonor Pedro

O novo livro de Rosa Leonor Pedro sobre o feminino e o sagrado, «Lilith - A Mulher Primordial», será lançado no próximo sábado, 25 Janeiro, às 18h00, no Hotel Vila Galé, no Estoril. A apresentação do livro será feita por Mariana Inverno e Ana Ferreira Martins, com a presença da autora, assim como do editor Alexandre Gabriel.

 

«Lilith - A Mulher Primordial»

 

A edição da Zéfiro já se encontra disponível para pré-encomenda, aqui.

«Lilith - A Mulher Primordial»

O Feminino e o Sagrado

de Rosa Leonor Pedro

A CISÃO ARQUETÍPICA DO FEMININO: ANJO E DEMÓNIO

O nosso mundo ocidental encontra-se dominado e dividido por uma dicotomia profunda da Mulher que tem a sua origem na Bíblia, portanto desde há cerca de 5 mil anos. Tudo o que é anterior foi votado ao esquecimento e ao descrédito, vive nos escombros da nossa memória colectiva.


Lilith é a Primeira Mulher, aquela que foi banida da história do homem porque não aceitou o seu domínio e foi perseguida como um demónio. Só após a rebelião desta Mulher Original é que surgiu Eva, a partir da costela de Adão. Foi a esta mulher inferior que a Serpente do Paraíso deu a comer a maçã do conhecimento. Mas essa Serpente não era senão Lilith, a parte da mulher que ficaria para sempre reduzida à sua sombra e condenada a viver no exílio da nossa psique, enquanto Eva serviria o homem e a comunidade patriarcal, sujeita às suas leis e às suas normas.



O trabalho da mulher consciente da sua cisão deve ser encontrar a totalidade em si mesma, realizar-se enquanto mulher integral, abandonar a visão da mulher secularmente dividida em duas e que vive uma crucificação de si mesma. Esta divisão manifestou-se mais tarde sob a forma de Maria, a Virgem Mãe no altar, e Maria Madalena, a pecadora: a “santa e a prostituta”. A mulher comum sofre este dilema e, quando julga ter entrado no mundo da espiritualidade, cai na armadilha da realização “espiritual”, não tendo integrado a totalidade da sua psique, sofrendo assim desestruturações graves no plano mental e emocional (histeria, bipolaridade, fibromialgia, depressões, etc., e todo o tipo de doenças auto-imunes e psicossomáticas). Tal acontece devido a uma rejeição sistemática e sistémica da sua natureza fulcral enquanto mulher matriz e telúrica, ligada ao instintivo, ao sensual-sexual-mediúnico, que são inibidos pelo crivo da moral judaico-cristã que a condena, arriscando-se a nunca mais se encontrar na sua totalidade, continuando a anular a parte do seu ser que é a Mulher Original, ligada à Terra-Mãe e ao culto da Deusa, o que, em última análise, é prejudicial para a evolução do próprio planeta.



Sem uma verdadeira identidade feminina de base, a Mulher Cálice, a Rainha e a Musa, jamais se encontrará na sua plenitude. Só através da integração do Princípio Masculino e do Feminino poderão os homens e as mulheres realizar-se, estando ambos conscientes das suas diferenças a nível biológico e psíquico. À mulher que assim o permitir, este livro poderá acender o fogo de Lilith e a consciência da Mulher Primordial, Aquela que pode verdadeiramente transformar o mundo!

 

 

«Não creio que as mulheres tenham problemas de solidão. Estão preparadas para a solidão e, em geral, para toda a espécie de sofrimento; a natureza dotou-as com singulares poderes de resistência, o que os doutos alquimistas diziam ser humor frio e incapaz de maturidade intelectual. Acho mesmo que a solidão é um estado natural da mulher; e por isso todos os movimentos ascéticos que envolviam retiro e culto da experiência espiritual, desde as vestais de Roma até às Damas do Amor Cortês, na Provença, partiam dum sentimento feminino muito acentuado. Os homens não encaram bem esse protótipo de mulher espiritual, porque ele é o único que recria a independência feminina depois do primeiro Éden. E diz-se primeiro Éden porque, segundo as Escrituras, houve, antes de Eva, uma mulher pura, inteligente e igual ao homem, de grande condição metafísica, porém cruel e sumamente poderosa. Chamava-se Lilith. Em suma, o mito da mulher fatal, que o homem teme e, ao mesmo tempo, pretende conhecer como sua verdadeira metade.»

Agustina Bessa-Luís

in Dicionário Imperfeito

 

 

«As histórias das mulheres são tão poderosas, inspiradoras e aterradoras como a própria deusa. E, na verdade, estas são as histórias da Deusa. Como mulheres, nós a conhecemos porque somos ela. Cada mulher, por mais impotente que ela possa sentir, é uma célula dentro da sua vasta forma, uma encarnação da sua essência, e a história de cada mulher é um capítulo na biografia do sagrado feminino.»
Jalaja Bonheim

 

«Para mim, e desde logo, Lilith não é um apenas um Mito, sendo que num sentido mais lato, toda a história religiosa é Mito. Mas, o que me interessa abordar neste caso é a experiência que o arquétipo de Lilith faz acordar, dentro de cada mulher, e em mim mesma. Comecei por aí. Daí este livro ser um conjunto de textos agregados à volta de uma ideia, a minha ideia quase obsessiva, agora compostos e organizados, para que haja entre eles uma maior coesão. Subtemas ou frases semelhantes podem soar repetitivos. Talvez. Nunca é demais, porém, repetir aquilo que está tão esquecido…»

Rosa Leonor Pedro

 

 

Rosa Leonor Pedro

 

Rosa Leonor Pedro nasceu em Almada em meados do século XX. Desde muito jovem começou a sua busca por uma verdadeira identidade feminina, para fugir aos estereótipos que lhe eram tradicionalmente impostos por uma sociedade estagnada e atrasada como era ainda a portuguesa nos anos 60. Com vinte e poucos anos empenhou-se na luta democrática para que as mulheres tivessem direito a votar em Portugal, mas foi obrigada a fugir para Paris para não ser presa (pela PIDE) e em busca de horizontes mais amplos. Voltou antes do 25 de Abril surrealista. Fez vários cursos (holísticos) e percorreu vários caminhos e terapias, ensinamentos e meditações, dedicando-se a práticas alternativas na busca de um sentido derradeiro e motriz da vida, mas também que lhe desse a real dimensão do seu ser, que desde muito cedo inconformada intuía ser A Mulher…


Por volta dos cinquenta anos descobriu Lilith, essa oculta primeira mulher de Adão, a mulher anátema, perseguida desde todo o sempre pela religião judaico-cristã como um demónio por se ter insurgido contra Adão e o seu Deus, uma mulher insubmissa, e concentrou-se então na busca da consciência e integração dessa Mulher Primordial.



Publicou a sua primeira obra Mulher Incesto – Sonata e Prelúdio, um livro de poemas em elegia da Mulher, aludindo à energia de Lilith em 1996. Em 2003, na mesma linha, publicou Antes do Verbo Era o Útero - Ladainhas e em 2008 Mulheres & Deusas, baseado nos seus textos sobre o feminino sagrado, escritos no blogue com o mesmo nome (tendo como subtítulo Rosa Mater), que mantém activo desde 2001 e que conta com mais de um milhão de visitas.



Em síntese de todas essas buscas, a autora refere ter resumido toda a sua busca e experiência de vida neste livro, Lilith – A Mulher Primordial, dedicando-o a todas as mulheres que neste momento lutam de novo com as trevas da ignorância e o machismo, e que sofrem ainda na pele os efeitos dessa religião que sempre as diminuiu, maltratou e excomungou através da figura mítica e sibilina de Lilith.

 

 

Publicado por Music(A)rtes

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