“o desassossego que sentimos está connosco desde sempre; é o nosso estado natural.”
In Silêncio na Era do Ruído, Erling Kagge, Quetzal, 2017
Sem precedente, o momento que vivemos é de excepção e como todas as organizações culturais do país, devido à pandemia, também a Materiais Diversos suspendeu espectáculos, oficinas e residências artísticas e aguarda por dias mais seguros para reprogramar as actividades, num futuro ainda incerto.
«Partilhas/ Exchanges» foto de Nuno Direitinho/ Festival Materiais Diversos 2019
Em casa, mas sem fechar a porta da imaginação. Continuam a trabalhar e a querer manter o espírito vivo, apoiando os artistas e os seus projectos e acreditando no importante papel da cultura e da produção artística na sociedade. Ao longo destes meses, continuam a partilhar aquilo que têm e de que se orgulham: o trabalho dos seus projectos associados, a voz dos artistas que apoiam, as ideias e projectos que desenvolvem.
Se, em Abril, a Filipa Francisco apresentava A Viagem, na Figueira da Foz e o projecto Partilhas/ Exchanges, em Coimbra, dão-nos agora a conhecer um pouco deste último projecto, que revela múltiplas vozes tantas vezes invisíveis;
Em vez de desenvolver a Oficina de Técnicas Radicais de Teatro e Dança para jovens, no Cartaxo, onde estaria também em residência, Joana Pupo partilha as suas intenções sobre Uma Peça Feliz e Direta sobre a Tristeza;
A Companhia Maior estaria igualmente em residência no Cartaxo, apresentando um ensaio aberto à comunidade. Podemos, ainda assim, ter um cheirinho do espectáculo O Lugar do Canto está Vazio;
Em Lisboa, Sofia Dinger e Miguel Bonneville dariam início a O Primeiro Sol, numa residência de criação, nos Estúdios Victor Córdon. É a partir do primeiro movimento deste novo projecto, uma troca de cartas entre ambos, que voltam em Maio para nos revelar os frutos desta residência via “postal”.
E como é tempo de nos reinventarmos, recuperaram uma ideia que se vinha materializando em projectos como o programa Correspondências e o livro que a Materiais Diversos está prestes a lançar.
Decidiram abrir um espaço de reflexão sobre temas que os intrigam e convidaram artistas e pensadores a partilharem as suas opiniões, saberes e pontos de vista.
O Tempo das Cerejas não tem regra, mas terá o ritmo das palavras, vozes e pensamentos de muitos, terá diferentes formatos e conteúdos e aqui pode ler o primeiro contributo, do João Sousa Cardoso, sob o signo da pandemia.
